Qual é a diferença entre ideia e oportunidade?

Por: Gisella Mandaro

 

   Muita gente se orgulha da criatividade e do jogo de cintura dos brasileiros diante das crises econômicas. Se o indivíduo tem talento, ele e a família investem tudo e a consequência disso é a abertura de centenas de micro empresas por ano. Até aí tudo bem, o problema é que a maioria dessas pessoas acaba fracassando com menos de doze meses no mercado. A pergunta que fica é: qual é a diferença entre uma boa ideia e uma grande oportunidade? Uma ideia em si é inerte e não tem valor em termos práticos. Já a oportunidade é uma ideia que está vinculada a um produto ou serviço que agrega valor ao consumidor, seja através da inovação ou da diferenciação.
 
   Oportunidade é atrativa, tem potencial para gerar lucros e está disponível em momento e/ou local adequado para quem vai utilizá-la. Por isso, uma oportunidade não depende de quem a encontra, mas de quem tem condições técnicas e financeiras para executá-la. Geralmente surgem em função de identificação de desejos e necessidades insatisfeitas. Identificar as oportunidades é um desafio imenso. Em geral estão camufladas nos erros tecnológicos, atrasos, avanços, caos. Quanto mais imperfeito o mercado for, maiores as chances de surgir novas oportunidades. Por isso, o empreendedor precisa ter senso de observação para transformar uma boa ideia numa grande oportunidade.
 
   Quer ser um empreendedor, transformar ideias em oportunidades? Então, você deve permitir que sua curiosidade fique em evidência. Esteja atento, principalmente aos problemas do cotidiano. O importante aqui é perceber que o problema deve ser coletivo, ou seja, que a solução possa atender a várias pessoas. Vamos citar um exemplo: imagine que no seu setor, muitas pessoas acabaram de se casar, chegam tarde em casa e que não tem tempo de preparar o jantar, e que mesmo assim desejam fazer a refeição em casa. Pense que a refeição deve se diferenciar do almoço por quilo, ou das lanchonetes. Não seria óbvio oferecer a essas pessoas conveniência de comida congelada? Parece que você está identificando uma oportunidade aqui... Mas cuidado! Você deve sempre se certificar de que as pessoas realmente têm esta necessidade ou vontade não atendida, ou ainda, que não estão satisfeitas com as ofertas existentes na região. Como? Faça uma pesquisa para saber das preferências das pessoas e identifique o perfil daqueles que têm este hábito. Procure saber que negócios já suprem ou tentam suprir esta necessidade e, quem sabe você tenha encontrado, de fato, uma boa oportunidade de negócios.
 
   Com este simples exemplo, aprendemos que não basta ter uma idéia atraente. É necessário estudar o mercado. Como? Verificando as mudanças de hábitos. Conversando sobre os mercados emergentes, tais como: lazer, saúde, educação, varejo financeiro, turismo. E finalmente, conhecendo as cadeias de produção. Você vai ver que tem um monte de coisas que podem ser criadas, inovadas e recicladas.
 
   Obviamente que antes de criar um negócio você deve fazer um estudo mais criterioso de investimento e retorno, de análise da concorrência e, principalmente, do mercado potencial. Mas o início de tudo se dá pela oportunidade identificada e, a partir daí, para uma análise mais detalhada. Nunca comece um negócio sem antes passar pelas fases de identificação da oportunidade e de planejamento e análise de viabilidade.
 
   Para que você tenha clareza quanto ao tipo de negócio pretende montar, responda: Qual é o seu negócio? A resposta tem que ser específica, como por exemplo: meu negócio é uma Roseteria Delivery para casais recém casados ou solteiros, moradores de bairros emergentes, e que desejam se alimentar bem, gastando pouco e consumindo menos tempo. Note que neste caso o negócio está bem definido e que a empresa não atenderá famílias, ou a micro e grandes empresas e, ainda, clientes fora da região estabelecida.
 
   Depois definir o seu negócio, responda: o que você realmente vende? Continuando com o mesmo exemplo, seria simples dizer lanches e pratos congelados, mas só isso não basta. Procure mostrar o seu posicionamento ou diferencial em relação à concorrência. Pense em quesitos como qualidade, preço, durabilidade, confiança, pontualidade, eficiência, etc.
 
   Seja cauteloso com as promessas. Ninguém é referência em tudo. Veja o que a clientela busca, o que a concorrência não faz e tente oferecer algo que preencha esta lacuna. Daí, você estará preparado para a próxima fase: qual é o nicho específico de mercado, setor, região, perfil de consumidor que você pretende atender?
 
   A dica é você identificar o perfil de um cliente-alvo e, a partir daí, tentar levantar o tamanho do mercado em Reais e em número de clientes potenciais. Isso quer dizer, quantos casais e pessoas solteiras possuem potencial econômico para comprar os seus produtos? Quantas vezes essas pessoas comprariam seus produtos por semana? Quantas dessas pessoas são adolescentes, crianças, adultos e idosos? Quantas delas são homens e mulheres? Tudo isso o ajudará a escolher melhor o cardápio, variando o tipo de produto e de serviço, assim como quantidades para evitar desperdícios.
 
   Você deve está ai se perguntando? Mas onde posso conseguir estes dados? No site do IBGE há uma vasta quantidade de informações sobre a população brasileira. É um bom ponto de partida. O importante é que você antes de iniciar o seu negócio responda essas perguntas já mencionadas e também as seguintes:
 
- Qual é o mercado que pretende atender?
- Qual é o retorno econômico que pretende alcançar?
- Quais são as suas vantagens competitivas?
- Quem irá lhe ajudar a viabilizar o negócio?
- Até que ponto você está comprometido com o negócio?
- O mercado que escolheu atender, está estagnado ou crescendo?
- Quanto pretende investir?
 

   Responda tudo isso num papel e descobrirá se a oportunidade que pescou tem viabilidade ou não. Essas anotações deverão compor o Plano de Negócio, ou seja, um documento que reúne esta e outras informações sobre as características, condições e necessidades do futuro empreendimento, com o objetivo de analisar sua potencialidade e viabilidade, facilitando sua implantação. É uma ferramenta útil nas mãos de empreendedores, principalmente, os que se arriscam no mercado pela primeira vez.



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